
Vereador Marmuthe questionou se o Estádio Almeidão teria capacidade para sediar jogos durante as obras de reforma
A Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) discutiu o futebol profissional e a segurança nos estádios da Paraíba. A audiência pública aconteceu na tarde desta quinta-feira (10), em proposição conjunta do ouvidor da Casa, vereador Marmuthe (SDD), e do parlamentar Renato Martins (PSB). No debate surgiu o pedido para que a Casa instaure uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) a fim de apurar os atos administrativos da Federação Paraibana de Futebol (FPF).
Marmuthe defendeu que é preciso reavaliar a liberação das partidas do Almeidão durante a reforma e questionou se o estádio teria capacidade para sediar os jogos durante as obras. “O Almeidão passa por uma reforma desordenada e interminável, permitindo que tijolos e vigas metálicas fiquem espalhadas pela arquibancada e em vários locais ao redor do estádio. Ou seja, objetos que podem se transformar em armas nas mãos de torcedores mal intencionados, causando mais violência”, afirmou.
O parlamentar ainda classificou como lamentáveis os acontecimentos ocorridos neste ano em João Pessoa. “Como os incidentes envolvendo a torcida do Sport Recife e a Polícia Militar da Paraíba, e a morte do torcedor do Auto Esporte, Tibério Barreto, que caiu num fosso durante uma partida. Eles ilustram problemas que se arrastam ao longo do tempo, fazendo com que jogos e competições profissionais pareçam espetáculos amadores. É bom lembrar que se o Almeidão estivesse interditado como determinou o Supremo Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), a tragédia com o torcedor do Auto Esporte não teria acontecido”, destacou Marmuthe.
Em resposta ao vereador, o Secretário da Juventude, Esporte e Lazer do Estado, Tibério Limeira indagou: “Caso o Almeidão seja fechado, as torcidas vão concordar ficar sem jogos?”. Ele garantiu que a reforma está sendo realizada de forma que se possibilite fazer partidas e receber os torcedores.
Vereador pede CPI para apurar atos administrativos da FPF
Renato Martins anunciou que analisou os borderôs (documentos relacionados a operação financeira), nos quais constam as receitas e despesas relacionadas aos jogos do Botafogo da Paraíba e do Treze, referentes a 2013. “Analisei jogo a jogo, e pasmem com a discrepância e o prejuízo aos times. Quando comparei com os borderôs disponibilizados na internet pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), vi que os emitidos pela Federação Paraibana de Futebol (FPF) continham valores inferiores. São fortes as evidências de corrupção. Diante desse cenário, solicito que possamos unir assinaturas para acionar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI)”, sugeriu.
De acordo com a denúncia de Renato Martins, na partida entre o Botafogo e o Vitória da Conquista, em julho de 2013, o time paraibano recebeu da FPF R$ 43.954,81, enquanto que o valor discriminado pela CBF é de R$ 45.033,81. A mesma coisa aconteceu na final em que o Botafogo enfrentou o Juventude, em 3 de outubro do ano passado, na qual a Federação emitiu borderô ao Botafogo no valor de R$ 352.236,31 e na CBF consta R$ 354.598,21. Já na partida entre o Botafogo e o CSA, em 11 de agosto de 2013, foram declarados no borderô da FPF R$ 30.893 e na CBF R$ 30.559.